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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Conheça histórias de quem ganhou um órgão e hoje vive normalmente

No dia 2 de novembro de 2010, O Diário acompanhou o relato de dez pacientes que estavam na fila por um transplante na região de Maringá. Eles contaram como descobriram as doenças e como conviviam com a situação.



Depois de 1 ano e 2 meses, a reportagem do jornal procurou os mesmos pacientes para saber se conseguiram o órgão tão aguardado para continuar a viver a vida normalmente. Das dez pessoas entrevistadas, quatro conseguiram fazer o procedimento, um morreu, quatro ainda esperam pelo órgão e um vai fazer um transplante no mês de fevereiro.



Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, em 2011 foram realizados 1.684 procedimentos no Paraná. O balanço registrou um crescimento de 40% nos transplantes realizados no Estado no ano passado em relação ao ano de 2010, quando foram realizadas 1.211 intervenções.



Valmir Arcanjo de Souza, 29, ex-sorveteiro que parou de trabalhar por causa da doença, recebeu um novo rim há 7 meses. Ele ficou quase 5 anos fazendo hemodiálise. Agora leva uma vida normal. "Ainda não voltei a trabalhar, mas estou com a saúde perfeita. Nem acredito que não preciso fazer mais hemodiálise", diz Souza. Ele recebeu o órgão de um doador vivo - o irmão.

Assim como ele, José Antônio Alexandre, Elaine Cristina e Josiane Paula Moreira conseguiram fazer o transplante. José Antônio, que recebeu um novo rim em maio de 2011, é caminhoneiro, e já está viajando a passeio.



A alegria, infelizmente, não é compartilhada pelas pessoas que ainda aguardam por um transplante. Muitos ainda estão ansiosos, à espera de um telefonema com a boa notícia. Marcimara Portela é uma delas. Ela fez um transplante em 2008. No entanto, o órgão não era compatível. Como não houve inflamação, não foi preciso retirá-lo. Mas ela precisa passar por um novo transplante e continua fazendo hemodiálise três vezes por semana. Em 2010, ela se cadastrou na Secretaria de Saúde de Santa Catarina, para tentar encontrar um doador em menos tempo.



Aparecido Fortunato também não conseguiu fazer o transplante de fígado, mas diz que a situação em que se encontra é estável. "O médico disse que a doença está controlada, que consigo viver bem como estou. Mas se conseguir um doador será melhor ainda", conta. Ele lembra que, na época em que ficou sabendo que tinha cirrose hepática, o médico disse que ele viveria apenas por mais 5 meses. "Graças a Deus fiz o tratamento em Curitiba e agora estou muito bem", conta.



O paciente Pedro Roberto Bioni, que morreu há 2 meses, também esperava por um fígado. Segundo a irmã de Pedro, Odete Bioni Foltran, ele fez um transplante de rim há alguns anos, mas em seguida desenvolveu hepatite. O caso foi se agravando até o paciente adquirir cirrose e um câncer. "O médico disse que no caso dele, nem o transplante poderia salvá-lo. Ele ficou muito mal e não resistiu", conta a irmã.



Ao contrário da família Bioni, os pais de Matheus dos Santos estão felizes com as últimas notícias. O filho de 10 anos, que esperou 1 ano e 2 meses pelo transplante de medula, já está fazendo os últimos exames para fazer o procedimento, no mês que vem. "A saúde dele está ótima e o doador também já aguarda para fazer o transplante. Só estamos esperando o agendamento no hospital", comemora o pai, David dos Santos.



João Daniel de Barros, de apenas 6 anos, conhecido na cidade como "João Bombeirinho" ainda não encontrou um doador. Segundo a Central de Transplantes do Paraná, não há doador compatível para ele no Brasil e a Secretaria de Saúde já iniciou uma busca internacional para que o transplante de medula seja realizado com sucesso.




Transplantes de córnea:

os mais acessíveis



De acordo com a diretora da Central Estadual de Transplantes, Arlene Badoch, a córnea, que é um tecido, é o transplante mais comum no Estado. "Temos córneas para atender a todo o Estado, mas alguns pacientes não conseguem fazer o procedimento por falta de agilidade nos serviços", afirma.



A maior necessidade na Central, por outro lado, é por doadores de rim. Ao todo, 2,1 mil pacientes estão na fila de espera. "Para outros órgãos, não há tantas pessoas na fila de espera, já que infelizmente entre 40% a 50% dos pacientes morrem. No caso dos pacientes que precisam de um rim, existe o serviço de diálise, que consegue mantê-los em tratamento até a chegada de um órgão compatível", explica a diretora.



Arlene, que também é coordenadora das Políticas para Transplante do Paraná destaca que o aumento no número de transplantes em 2011 é resultado de uma somatória de fatores.



"A criação das Comissões de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Copots), a melhoria na captação e transporte dos órgãos, a sensibilidade das comissões intra-hospitalares e a conscientização das famílias contribuíram para aumentar o número de procedimentos em todo o Estado. Nosso objetivo é ampliar as campanhas em todo o Paraná, já que quem toma a decisão sobre a doação de órgãos é sempre o familiar da pessoa que morreu", enfatiza.

 Elaine Cristina – Fez o

transplante de córnea em

10/1/2011


Josiane – Transplante de

córnea em 3/3/2011 
Sérgio Ribeiro Pinto –

Ainda aguarda um doador

de rim

 
 Valmir Arcanjo

de Souza – Fez

o transplante em

27/5/2011


Pedro Roberto

Bioni – Morreu

há 2 meses

 
 Aparecido

Fortunato–Ainda

espera por um

doador de fígado

                                                               

 
Marcimara Portela –

Ainda espera por um

doador de rim

 
José – Transplante de rim

em 3/4/2011

 
Matheus – Aguarda

agendamento. Já

encontrou doador de

medula

João Daniel de

Barros – Ainda

espera por um

doador de medula


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