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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Promotora e delegado comentam nova denúncia de estupro cometido por ex-BBB Daniel

A promotora e o delegado que investigam o caso do suposto estupro no BBB 12 divergem sobre a nova denúncia de outro abuso sexual que teria sido cometido pelo ex-brother Daniel Echaniz.

Após ser expulso do BBB 12 por suspeita de ter estuprado a estudante Monique Amin depois da primeira festa deste edição do reality show, Echaniz foi alvo de outra denúncia, feita no domingo (22) pela modelo Tatiane Eyng, no programa Domingo Espetacular, da Rede Record. Segundo Tatiane, que dividia apartamento com Daniel e a namorada dele em Milão, na Itália, o rapaz abusou dela de modo semelhante ao que teria ocorrido com a estudante Monique

Sobre a acusação de Tatiane, advogada Adiléia Triani, que defende o modelo, disse que ele desconhece o fato. "Ele não se lembra de nenhum fato parecido com esse".




Denúncia pode influenciar decisão da promotora



Para a promotora Cristiane Monerá, que acompanha a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro o fato "pode influenciar na decisão dela" na hora de pedir à Justiça que condene ou absolva Daniel. As informações são do portal R7.

"Independente de haver ou não mais uma acusação de estupro, isso não vai alterar em nada a linha de investigação policial. Para formar uma convicção sobre um caso, em geral, juntamos as provas, inclusive de outros casos que o indivíduo está envolvido. E é claro que essa nova acusação pode me ajudar, pode me influenciar a formar uma convicção num sentido (de que Daniel é culpado) ou em outro (de que é inocente)", informou a promotora ao R7.








Antecedentes não interferem no inquérito, diz delegado



Para o delegado Maurício Mendonça, da Delegacia da Taquara (32ª DP), zona oeste do Rio de Janeiro, os possíveis antecedentes criminais do ex-BBB não devem interferir nas investigações que apuram a suspeita de estupro na casa do Big Brother Brasil.

Mendonça, que investiga a suspeita de abuso sexual na casa do BBB ao lado do titular Antônio Ricardo Nunes, disse na segunda-feira (23) que a nova acusação não deve complicar a situação do modelo no Rio.


"Eu fiquei sabendo pela imprensa da nova denúncia de estupro. Nós não vamos diligenciar nada que não tenha a ver com a área da nossa delegacia. Os antecedentes criminais não devem interferir nesse inquérito. Pode interferir na Justiça numa possível fixação de pena, caso o juiz entenda os antecedentes como agravantes"



Exemplo



A promotora Cristiane Monerá afirmou ao R7 que, se ficar comprovado na Justiça que o ex-brother é culpado, o caso vai servir como exemplo para outros semelhantes, orientando juízes em futuras decisões.



"O caso da Monique [Amin] é particular porque, em geral, a defesa tenta denegrir o relato da vítima. No entanto, ela já negou em depoimento à polícia que tenha havido estupro. Se não tivesse o vídeo, o caso estaria encerrado, porque não haveria como provar o contrário. Mas, nesse caso, há uma filmagem e é preciso saber o que aconteceu lá. É preciso saber se ela [Monique] tinha ou não condições de se defender. Se ficar provado que não estava consciente, o processo contra Daniel independe da vontade dela".

Segundo a promotora, a perícia gestual no vídeo de sete minutos com as cenas do suposto estupro será fundamental para a conclusão do caso. Especialistas estão analisando as imagens.



"Se a perícia revelar que Monique não estava consciente, configura-se o estupro e tanto faz se houve ou não sexo. Como a lei é nova, as pessoas ainda têm a ideia errada de que para ter estupro tem que ter havido sexo. Basta ter havido contato sem consentimento ou que a vítima não tenha capacidade de se defender. É o que chamamos de estado de vulnerabilidade"


Além disso, a promotora questiona a veracidade do depoimento da estudante. "Ela afirmou que não foi estuprada, mas também disse que não se lembrava de nada. Às vezes, acontece de a vítima estar com a percepção distorcida. Isso nada impede que depois, quando sair do programa e analisar ao lado de seus familiares o que aconteceu, ela resolva mudar sua versão. Ela é a vítima e a nossa lei não permite que venha a responder por falso testemunho".

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